terça-feira, 31 de julho de 2007

SLOW DOWN:



Já vai para 16 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca.Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante.Qualquer projeto aqui demora 2 anos para se concretizar,mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É regra.
Então, nos processos globais, nós (brasileiros, americanos, australianos,asiáticos)ficamos aflitos por resultados imediatos, uma ansiedade generalizada. Porém,nosso senso de urgência não surte qualquer efeito neste prazo.Os suecos discutem, discutem, fazem "n" reuniões, ponderações.
Trabalham num esquema bem mais "slow down".O pior é constatar que no final, acaba sempre dando certo no tempo delescom a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde aqui.
E vejo assim:
1. O país é do tamanho de São Paulo;
2. O país tem 2 milhões de habitantes;
3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (comparecom Curitiba, que tem 2 milhões);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson,Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare... Nada mal, não?
5. Para ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsorespara foguetes da NASA.
Digo para os demais nestes nossos grupos globais: os suecos podem estar errados,mas são eles que pagam muitos dos nossos salários.
Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo,que tenha mais cultura coletiva do que eles.
Vou contar para vocês uma breve passagem só para dar noção.
A primeira vez que fui para lá, em 1990, um dos colegas suecos mepegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio, nevasca..
Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe daporta de entrada (são 2.000 funcionários de carro).
No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro .
Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã, perguntei:
"Você tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei quechegamos cedo, o estacionamento vazio e você deixa o carro lá no final."
Ele me respondeu, simples assim:
"É que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar - quemchegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta.
Você não acha?"
Olha a minha cara! Ainda bem que tive esta na primeira. Deu pararever bastante os meus conceitos.
Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food.
A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol,tem sua base na Itália (o site, é muito interessante. Veja-o!).
O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devemcomer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, noconvívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade.
A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food e o que elerepresenta como estilo de vida em que o americano endeusificou.
A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food estáservindo de base para um movimento mais amplo chamado Slow Europecomo salientou a revista Business Week numa edição européia. A base de tudoestá no questionamento da "pressa" e da "loucura" gerada pela globalização,pelo apelo à "quantidade do ter" em contraposição à qualidade de vida ouà "qualidade do ser".
Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, emboratrabalhem menos horas (35 horas por semana) são mais produtivos que seuscolegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresasinstituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividadecrescer nada menos que 20%.
Essa chamada "slow atitude" está chamando a atenção até dosamericanos, apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it now" (faça já).
Portanto, essa "atitude sem-pressa" não significa fazer menos, nemter menor produtividade.
Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e"produtividade" com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos "stress".
Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre,do lazer, das pequenas comunidades, do "local", presente e concreto emcontraposição ao "global" - indefinido e anônimo.Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeresdocotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé .
Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre,mais "leve" e, portanto, mais produtivo onde seres humanos, felizes,fazem com prazer, o que sabem fazer de melhor.
Gostaria de que você pensasse um pouco sobre isso...
Será que os velhos ditados "Devagar se vai ao longe" ou ainda "A pressa éinimiga daperfeição" não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreadaloucura?
Será que nossas empresas não deveriam também pensar emprogramas sérios de "qualidade sem-pressa" até para aumentar aprodutividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perdada "qualidade do ser"?
No filme "Perfume de Mulher", há uma cena inesquecível, emque um personagem cego, vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar eela responde:
"Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucosminutos."
"Mas em um momento se vive uma vida" - responde ele,conduzindo-a um passo de tango.
E esta pequena cena é o momento mais bonito do filme.
Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas pareceque só alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim.Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro ese esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe.
Tempo todo mundo tem, por igual! Ninguém tem mais nemmenos que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo.
Precisamos saber aproveitar cada momento, porque, comodisse John Lennon:
"A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro"...
Parabéns por ter lido até o final!
Muitos não lerão esta mensagem até o final, porque nãopodem "perder" o seu tempo neste mundo globalizado.
Pense e reflita, até que ponto vale a pena deixar de curtir sua família. Deficar com apessoa amada, ir pescar no fim de semana ou outras coisas...Poderá ser tarde demais! Saber aprender para sobreviver...


(autor anônimo) 31/07/2007

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